Gestes et Opinions du docteur Faustroll, pataphysicien, foi escrito por Alfred Jarry em 1898, e publicado postumamente, em 1911. É nesta obra, que Jarry cunha pela primeira vez o termo patafísica, e sua definição como a ciência das soluções imaginárias.

        Durante a década de 20, o modernismo iria se desdobrar em diversas vertentes artísticas, e neste contexto, é publicado o Manifesto Surrealista, por André Breton. Os movimentos Dada, Surrealista, futurista e de forma ampla praticamente todas as expressões artísticas avant gard citaram a importância da obra de Jarry como influência para os movimentos. Seja por seu texto em Faustroll, ou pelo ciclo Ubu no teatro.

       Entretanto, seria um tanto ousado marcar a obra de Jarry como percursora de todas estas escolas. Embora boa parte delas cite Jarry como grande influência, é bom lembrar que muitos artistas da época não faziam a mínima ideia do que era a patafísica. Outros ainda, como Raymond Russell, criaram textos incrivelmente patafísicos, sendo contemporâneo de Jarry e nunca tendo o conhecido ou lido sua obra, o que ilustra o espírito da época.

    Além disso, a patafísica foi interpretada e recebida de diferentes formas pelos diferentes movimentos artísticos. Cada um com um viés voltado para o movimento em questão. André Breton por exemplo, grande entusiasta do trabalho de Jarry, considerado como o responsável por tirar sua obra do anonimato dos círculos intelectuais para o topo da discussão, ao colocar o autor na lista de autores referência do grupo surrealista. Entretanto, na ancia de encontrar o surrealismo em Jarry, Breton fez suas próprias interpretações, as quais, em última instância, não são completamente compatíveis com a patafísica em si. Especialmente quando entra em questão o papel do automatismo onírico e irracional do surrealismo, enquanto a patafísica caminha pelos meandros da ciência. Em sendo uma ciência das soluções imaginárias, a definição da patafísica em si mesma traz um subtexto de “regras”, como a presença de contradições absurdas, que não é compatível com a liberdade irracional onírica do surrealismo puro.

Breton, 1932

      Um contraponto à interpretação de Breton, é o trabalho de René Daumal (1908-1944). Em 1922, Daumal funda com amigos um grupo influenciado pela patafísica chamado “Phrères simplistes” (irmãos simplistas), que buscava a espontaneidade e senso de liberdade infantis. Se envolveu com o surrealismo no início de sua carreira, mas rapidamente rompeu com o grupo. Seu “Traité de patagrammes” (Tratado sobre patagramas – Daumal 1932) explora a patafísica em muitos aspectos da existência real e imaginária. Entretanto, a obra de maior impacto de Daumal é o romance inacabado O Monte Análogo, publicado postumamente.
 
   O livro é um relato alegórico da busca de um homem pela escalada de uma montanha praticamente imperceptível, a qual “o topo deve ser inacessível, mas sua base deve acessível a todos os seres humanos como a natureza os fez. Deve ser único e deve existir geograficamente. A porta para o invisível deve ser visível.” Traduzindo portanto, em sua obra, a interpretação mais próxima da patafísica de Jarry.  O fato curioso, é que Daumal morreu antes de poder terminar a obra, tornando-a desta forma inatingível, e portanto adicionando mais uma camada patafísica ao livro.
Irmãos Marx

 O pintor catalão Joan Miró nutriu paixão especial pelo ciclo Ubu de Jarry, tendo feito obras sobre Ubu ao longo de toda a sua carreira, incluindo esculturas, litogravuras, desenhos e pinturas, todos dentro de seu inconfundível estilo e humor satírico. Em 1966 foi publicada uma edição de Ubu Roi ilustrada por Miró, com 13 litogravuras, além de criar sua própria sequência ao ciclo Ubu “Ubu aux Baléares”, em 1971.

           A patafísica ainda foi notadamente citada por outros importantes artistas da década de 20. Groucho Marx, tem em sua frase talvez mais conhecida “eu não quero pertencer a nenhum clube que me aceitaria como membro”, claramente uma contradição patafísica. Embora não haja nenhuma citação explicita da patafísica na filmografia dos irmãos Marx, as evidências são abundantes no conteúdo de sua obra, e também em sua biografia, sendo a passagem mais marcante a presença de vários membros do Collège de ´Pataphysique no casamento de Chico Marx, incluindo Boris Vian.

         

Joan Miró
Marcel Duchamp
Outro eminente artista influenciado fortemente pela patafísica foi Marcel Duchamp. O próprio Ducham declarou: “Rabelais e Jarry são meus deuses, evidentemente.” Além de referências claras à Jarry em seu trabalho, sendo a mais evidente a bicicleta, obsessão estética e icônica tanto de Duchamp quanto de Jarry, em várias de suas obras.
*Informações retiradas do livro: ´Pataphysics, a useless guide (Andrew Hugill, 2002, Cambridge Massachussets - MIT)

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