O que é realismo mágico e realismo animista? Características, obras e autores

Realismo Mágico

 

O termo foi cunhado em 1925, pelo crítico de arte e historiador alemão Franz Roh, para descrever uma pintura que demonstrava uma realidade alterada, incorporando aspectos mágicos à realidade.

 

Mais tarde, Arturo Uslar Pietri empregou a expressão para referir-se a uma nova tendência na literatura hispano-americana, na qual a realidade coexiste com a fantasia.

Mas mais importante do que a origem do termo, é a capacidade que o estilo teve de agregar as culturas dos países colonizados, e com fortes matrizes de miscigenação, desde a América latina até a Africa.

Principais características:
  • Conteúdo de elementos mágicos ou fantásticos percebidos como parte da "normalidade" pelos personagens;

  • Presença do sensorial como parte da percepção da realidade;

  • Percepção do tempo como cíclico ao invés de linear, seguindo tradições dissociadas da racionalidade moderna;

  • Forte presença de oralidade na sua construção textual e discurso narrativo (histórias contadas, passadas adiante de forma oral).

  • Presença de alegorias ou metáforas políticas (dentro do contexto histórico das guerras civís ou colonizadoras de cada país).

 
 
Principais autores:

 

Realismo Animista

Quando se trata de autores africanos, torna-se necessário um outro termo, visto sua também própria concepção de mundo, de morte, de vida e de tempo. O realismo animista é muito mais amplo que o realismo mágico. 

 

“Se o realismo mágico caracteriza-se por uma tentativa de capturar a realidade através de uma visão multidimensional do mundo, visível e invisível, a lógica animista subverte e desestabiliza a hierarquia da ciência sobre o mágico e a narrativa secular da modernidade, reabsorvendo o tempo histórico nas matrizes do mito e da mágica” Henry Garuba

Principais autores:

Como se vê, todas as características levam a um estilo literário potente quanto à resistência cultural dos povos latinos ou africanos, seja pela questão da oralidade, seja pela presença de uma matriz religiosa/espiritual ancestral, que passa a ser aceita e fazer parte da realidade, tanto metaforicamente, quanto poeticamente.

Material teórico:

Como forma de divulgar o realismo mágico, e fomentar sua compreensão e debate, este site se propõe a agregar diversos estudos acadêmicos que abordem o tema.
 
Se você tiver um trabalho, ou souber de algum texto, e quiser disponibiliza-lo aqui, nos envie um email! 
Insólito, mitos e lendas - Simpósio sobre realismo mágico
- Organização Flavio Garcia, Maria G. e Miranda, Regina da Costa Silveira
RELIGIOSIDADE NA LITERATURA AFRICANA: A ESTÉTICA DO REALISMO ANIMISTA
Silvio Ruiz Paradiso
O hibridismo cultural em Guimarães Rosa e Mia Couto
Wilma Avelino de Carvalho
A permanência do ciclo místico-religioso na literatura de cordel e sua correlação com os níveis de construção textual.
Antônio Carlos Ferreira Lima
A relação da criança negra com a natureza em tempos de guerra
José Rafael Azevedo, Evelyne Fernanda de Carvalho, Juliana Silva Neves
Tradição Oral e a Literatura descolonizadora em Mia Couto e Guimarães Rosa
Miguel Nenevé, Rose Siepamann
Alejo Carpentier, um escritor em busca da América
Felipe de Paula Góis Vieira
As mãos dos pretos - Antologia do conto moçambicano (análise)
Anselmo Peres Alós
A imagem da mulher indiana na literatura pós-colonial
Silvio Ruiz Paradizo
Na tessitura hibrida dos signos: Manoel de Barros e Mia Couto
Maria Zilda da Cunha, Maria Auxiliadora Fontana Baseio
O desdobramento dos narradores mágicos em A jangada de pedra
Tania Mara Antonietti LOPES
PÓS-COLONIALISMO, RESISTÊNCIA E RELIGIOSIDADE NAS LITERATURAS AFRICANAS
Silvio Ruiz Paradiso
O futebol como alegoria antropofágica : modernismo, música popular e a descoberta da "brasilidade" esportiva
Bernardo Borges Buarque de Hollanda
PAULINA CHIZIANE: PRESENÇA, VOZ E SÍMBOLO FEMININO NA LITERATURA DE MOÇAMBIQUE
Rosenilda Pereira Padilha, Raquel Terezinha Rodrigues
(DES) ENCONTROS, O MUNDO UNE E SEPARA: O ENTRE-LUGAR EM GUIMARÃES ROSA E MIA COUTO
Josiane Lopes da Silva Ferreira
A TERRA SEM MAL, O PARAÍSO TUPI-GUARANI
Eduardo de Almeida Navarro

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